A minissérie documental “America’s Next Top Model: Choque de Realidade” (2026, Netflix), dirigida por Mor Loushy e Daniel Silvan, revisita um fenômeno televisivo que durou de 2003 a 2018. Os bastidores do programa são dissecados, fatos emblemáticos são relembrados, depoimentos estarrecedores são recolhidos. O documentário vai da celebração nostálgica à reflexão sobre a ética na indústria da moda.
Mor Loushy e Daniel Sivan são uma dupla de documentaristas israelenses. Realizaram obras como: “O Monstro ao Lado” (2019, Nextflix), sobre o caso de John Demjanjuk, um ex-guarda nazista que se estabeleceu nos EUA, e “Caixa Postal 1142: O Campo Secreto para Nazistas nos EUA” (2021, Netflix), que foi pré-selecionado para o Oscar.
No centro da minissérie está evidentemente a apresentadora e veterana supermodelo Tyra Banks, nascida em 4 de dezembro de 1973 na Califórnia. Êxito internacional, ela é uma mulher negra que conquistou espaço privilegiado num setor sabidamente excludente. Como empresária, transformou sua própria imagem em marca. “America’s Next Top Model”, programa que criou supostamente em função de sua própria experiência de superação, tinha como missão preparar jovens para a delícia e os horrores do mundo da moda. Tyra não era apenas apresentadora, mas uma superestrela, embora seja lamentavelmente lembrada como uma das maiores megeras da indústria do entretenimento.
Algumas poucas vencedoras da competição construíram carreiras significativas na indústria da moda, como Danielle Evans ou Eva Marcille, mas nenhuma alcançou o estatuto mítico das supermodelos internacionais dos anos 1990, como Naomi Campbell, Kate Moss ou a própria Tyra Banks. Para a maioria das candidatas, as promessas do programa resultaram em nada, apesar das humilhações por que passaram. A experiência do show para elas não foi realmente de aprendizado, mas de superexposição, e o que restou foram traumas e prejuízos. A minissérie é muito eficaz na revelação desse circo de horrores, o que não chega a surpreender dada a prestigiada trajetória dos diretores, que têm se dedicado a projetos extraordinariamente sérios.



