“Nouvelle Vague” (2005, Amazon), de Richard Linklater, acompanha o jovem Jean-Luc Godard (1930-2022) em sua passagem da crítica à direção cinematográfica. O enredo reconstitui o período imediatamente anterior e concomitante à realização de “Acossado” (1961, Telecine). Assim, revelam-se a formação de um método (filmagem com poucos recursos, em espaços reais e com abertura ao acaso) e a constituição de uma rede de colaboradores que inclui figuras como François Truffaut, Claude Chabrol e Agnès Varda.
Godard foi um dos principais defensores da “política dos autores”, em que o diretor é figura central da criação cinematográfica. O filme de Linklater descreve as etapas que permitiram a emergência do movimento Nouvelle Vague, que, entre o final da década de 1950 e meados dos anos 1960, revolucionou o cinema ocidental.
Em “Acossado”, um criminoso (Jean-Paul Belmondo) foge após matar um policial. Ele mantém uma relação instável com uma jovem estadunidense que vive em Paris (Jean Seberg). A trama policial importava menos do que a forma do filme: montagem descontínua, uso de câmera portátil e um trabalho mais livre com os atores. Essas técnicas redefiniriam a linguagem cinematográfica.
“Nouvelle Vague” concentra-se na relação entre o diretor Godard (Guillaume Marbeck) e seus intérpretes Jean (Zoey Deutch) e Belmondo (Aubry Dullin). A atuação é caracterizada pela própria presença diante da câmera, e os atores participam de um processo novo: ensaios incompletos, marcações flexíveis e diálogo com o espaço urbano.
Como referência à canção popular francesa do período, surge a canção “Come Prima (Tu Me Donnes)”, interpretada por Dalida e lançada em 1958, quando Godard vai de Paris a Cannes de carro. É o tradicional que sai em busca do novo.
A direção de Richard Linklater, nascido em 1960, em Houston, nos EUA, é típica de quem se consolidou como uma das figuras centrais do cinema independente a partir dos anos 1990. “Antes do Amanhecer” (1995, Telecine) foi rodado em grande parte na Europa. Linklater sempre dialogou com o cinema francês, em especial com a tradição autoral que inclui Jean-Luc Godard.



