O ator Josh O’Connor está reinventando o papel do homem no cinema ocidental. Nascido em 20 de maio de 1990 em Southampton, na Inglaterra, e formado pela Bristol Old Vic Theatre School, ele entrou na indústria audiovisual britânica em meados da década de 2010. Desde cedo definiu seu estilo: uma atuação silenciosa, construída a partir de pequenas alterações de postura, olhar e ritmo de fala.
A representação de um desejo masculino contido e ambíguo tem marcado a filmografia do ator. Ao interpretar o jovem Príncipe Charles nas temporadas três e quatro de “The Crown” (2019–2020, Netflix), criada por Peter Morgan, O’Connor ousou expor frustrações íntimas e sentimentos reprimidos. A ligação de O’Connor com personagens queer aparece em “La Chimera” (2023, Mubi), dirigido pela italiana Alice Rohrwacher. Ele interpreta o arqueólogo inglês Arthur, um homem marcado por um amor ausente.
Em “Rivais” (2024, Amazon), dirigido por Luca Guadagnino, O’Connor vive Patrick, um carismático tenista. Guadagnino estabelece uma relação entre Patrick e Art (Mike Faist ) repleta de tons homoeróticos. O’Connor se move com leveza pela quadra, quase numa dança, transformando competição em sedução.
A homoafetividade ressurge em “A História do Som” (2026, em exibição nos cinemas), filme dirigido por Oliver Hermanus e baseado em conto de Ben Shattuck. Durante a Primeira Guerra Mundial, dois homens, interpretados por O’Connor e Paul Mescal, percorrem o interior dos Estados Unidos para gravar canções folclóricas e desenvolvem um vínculo amoroso. É um típico trabalho de O’Connor: o sentimento se manifesta mais nos silêncios e nas pausas do que nas declarações diretas.
“The Mastermind” (2025, Mubi), da diretora estadunidense Kelly Reichardt, mostra uma faceta mais dinâmica do ator. É um drama sobre um roubo de obras de arte ambientado no período da Guerra do Vietnã.
O jogo cênico de Josh O’Connor revela-se pouco a pouco por meio de gestos cuidadosos. Ele encontra espaço para explorar a fundo a emoção de seus personagens. O ator oferece um preciso trabalho de construção psicológica e esbanja humanidade.



