Aos 63 anos, o estadunidense George Clooney, ator, diretor e produtor, vive um momento especial em sua carreira com o lançamento do filme “Jay Kelly” (2025, Netflix), uma comédia dramática dirigida por Noah Baumbach.
Em “Jay Kelly”, Clooney interpreta o personagem-título, um ator famoso que embarca em uma jornada pessoal acompanhado de seu empresário Ron, interpretado por Adam Sandler. O filme é uma celebrada colaboração entre Clooney e Sandler, amigos há décadas. Por motivos profissionais e familiares, Kelly é forçado a confrontar relacionamentos estremecidos e o legado que deixará para trás.
“Jay Kelly” tem um caráter meta-reflexivo, contando a história de um astro do cinema como o próprio Clooney. Baumbach escreveu o roteiro com a atriz Emily Mortimer. O ator aceitou o papel em menos de 24 horas após ler o roteiro.
O filme é uma meditação sobre fama e vida familiar. E a recepção crítica tem sido majoritariamente positiva. Tanto Clooney quanto Sandler receberam indicações ao Globo de Ouro 2026 por suas atuações no filme. No elenco também estão Laura Dern e Billy Crudup.
Aliás, o também recente thriller de ação “Wolfs – Lobos Solitários ” (2024, Apple TV+), com direção e roteiro de Jon Watts, marcou outra esperada colaboração, dessa vez com Brad Pitt.
Além de atuar, Clooney continua dedicado à direção. Seu trabalho mais próximo como diretor é “Remando para o Ouro” (2023), um drama baseado em fatos reais sobre a equipe de remo da Universidade de Washington que competiu nas Olimpíadas de Berlim em 1936. O filme demonstra o interesse contínuo de Clooney por filmes históricos e seu compromisso em contar histórias que vão além do entretenimento superficial.
No campo das atividades extraprofissionais, George Clooney permanece engajado em questões humanitárias e políticas. Ele fundou a “Clooney Foundation for Justice” em 2016, organização dedicada a promover justiça no campo dos direitos humanos ao redor do mundo. A fundação trabalha em várias frentes, incluindo apoio a jornalistas perseguidos, combate ao genocídio e promoção de educação para crianças refugiadas.
Clooney também tem sido uma voz ativa na política americana. Em 2024, ele publicou um artigo no jornal New York Times pedindo que o presidente Joe Biden considerasse não concorrer à reeleição, citando preocupações sobre sua capacidade de vencer Donald Trump. Essa posição ousada, vinda de um dos principais apoiadores democratas de Hollywood, gerou debate nos EUA e demonstrou a disposição de Clooney em tomar posições políticas difíceis mesmo quando contrárias aos seus aliados tradicionais.
Na área filantrópica, Clooney tem se destacado na questão da crise humanitária em Darfur, no oeste da África, visitando a região e usando sua popularidade para chamar atenção internacional para o genocídio. Ele também cofundou o projeto “Satellite Sentinel”, que monitora atividades militares em zonas de conflito no Sudão com imagens de satélite, na tentativa de conter atrocidades e crimes de guerra.
Como empresário, Clooney tem igualmente o toque de Midas. Ele alcançou, por exemplo, enorme êxito com a Casamigos Tequila. O que começou como uma empresa para produzir tequila para consumo pessoal transformou-se em um grande empreendimento. Em 2017, a marca foi vendida para a Diageo numa transação bilionária.
A vida pessoal de George Clooney reflete profundamente seus valores. É casado com Amal Alamuddin, uma respeitada advogada internacional de direitos humanos.
Em termos de ativismo ambiental, Clooney tem apoiado iniciativas de sustentabilidade e conscientização sobre mudanças climáticas. Ele também defende transparência corporativa e reforma no sistema político americano, particularmente em relação ao financiamento de campanhas eleitorais.
George Clooney é certamente ave rara em Hollywood. Com extraordinário fôlego combina trabalho em filmes que contam histórias socialmente importantes, humanitarismo e ativismo político. Sua fase atual reflete a maturidade de alguém que compreende o poder e a responsabilidade de seu status. Como é inevitável comentar, se é referência de beleza e charme, é também exemplo de consciência social.
Destaques de George Clooney em filmes e séries:
“ER: Plantão Médico” (1914-2009, HBO Max), criada por Michael Crichton.
“Irresistível Paixão” (1998, Amazon). Direção: Steven Soderbergh. Roteiro: Scott Frank (baseado em Elmore Leonard).
“Três Reis” (1999, HBO Max). Direção: David O. Russell. Roteiro: David O. Russell, John Ridley.
“Onze Homens e Um Segredo” (2001, Universal+). Direção: Steven Soderbergh. Roteiro: Ted Griffin.
“Confissões de Uma Mente Perigosa” (2002, Amazon). Direção: George Clooney (estreia como diretor). Roteiro: Charlie Kaufman.
“Doze Homens e Outro Segredo” (2004, Prime). Direção: Steven Soderbergh. Roteiro: George Nolfi.
“Syriana – A Indústria do Petróleo” (2005, Amazon). Direção e roteiro: Stephen Gaghan. (Oscar de Melhor Ator Coadjuvante para George Clooney.)
“Queime Depois de Ler” (2008, Amazon). Direção e roteiro: Joel Coen e Ethan Coen
Amor Sem Escalas (2009, Amazon). Direção: Jason Reitman. Roteiro: Jason Reitman, Sheldon Turner.
“Gravidade” (2013, Amazon). Direção: Alfonso Cuarón. Roteiro: Alfonso Cuarón, Jonás Cuarón.
“Jogo do Dinheiro” (2016, HBO). Direção: Jodie Foster. Roteiro: Jamie Linden, Alan DiFiore, Jim Kouf.
“Ingressos para o Paraíso” (2022, Amazon). Direção: Ol Parker. Roteiro: Ol Parker, Daniel Pipski.



