A série “Diários de Um Robô Assassino” (2025, Apple TV), que mistura comédia e ficção científica, confirma o carisma do ator sueco Alexander Skarsgård. Baseado em um livro de Martha Wells, o programa criado por Paul Weitz e Chris Weitz tem sido bem recebido tanto pelo público quanto pela crítica. Além de protagonizar a série, Skarsgård também atua como produtor executivo. Seu personagem é uma unidade de segurança robótica com forma humanoide que tem de esconder sua recém-conquistada autonomia enquanto mantém suas tarefas habituais como máquina de matar, o que traz situações de muito risco. “Murderbot”, título original da série e nome do androide, é descrito como introvertido, sarcástico, socialmente desajeitado e solitário por escolha, mas paradoxalmente adquire o desejo intenso de proteger os humanos em conflito com sua programação original.
O sarcasmo, na sua forma humorística, pode ser considerado o principal ponto de contato entre Murderbot e Alexander Skarsgård. O ator, embora predominantemente discreto na vida privada, tem um humor peculiar e inesperado, sendo capaz de cometer até mesmo certas extravagâncias. Em 2016, apresentou o prêmio de melhor ator do MTV Movie Awards de cueca branca. E no Festival de Cannes deste ano chamou atenção por sua inusitada escolha de vestuário: botas acima do joelho, calças de paetê azul-marinho e gravata borboleta rosa. Passou pelo tapete vermelho com ar casual como se estivesse vestido de maneira totalmente convencional. Ao ser questionado sobre o visual, ele sorriu e respondeu simplesmente: “Queria ser sexy hoje.” A irreverência, como se vê, é marca registrada de Skarsgård.
Em Estocolmo, na Suécia, em 25 de agosto de 1976, nasceu Alexander Johan Hjalmar Skarsgård numa família de artistas. Filho do renomado ator Stellan Skarsgård e de My Skarsgård, ele foi criado em um ambiente liberal, politizado e rico culturalmente. Aos sete anos, já atuava profissionalmente e, aos 13, era nacionalmente famoso. No entanto, o a exposição precoce lhe trouxe grande desconforto, e ele preferiu abandonar a carreira de ator. A partir daí, serviu na Marinha sueca por 18 meses e posteriormente estudou inglês na Leeds Metropolitan University, ocasião em que, segundo ele mesmo, “não estudou muito e se divertiu bastante”. Considerou também a profissão de arquiteto, mas escolheu retornar à atuação. Em 1997, matriculou-se em um curso de teatro no Marymount Manhattan College, em Nova York, onde permaneceu por seis meses antes de retornar à Suécia.
Aos poucos Skarsgård foi reconstruindo sua carreira de ator. Trabalhou na Suécia e finalmente teve uma oportunidade no filme estadunidense “Zoolander” (2001, Prime Video), uma comédia dirigida por Ben Stiller. Mas foi “True Blood” (2008-2014, HBO Max), série em que viveu o vampiro Eric Northman, que lhe proporcionou o estrelato. Sobre a composição do charmoso e perigoso Eric, Skarsgård declarou: “Todos os personagens que interpreto estão dentro de mim de alguma forma, e eles são todos diferentes — a escuridão, a luz, seja lá o que for.”
Trabalhar com um cineasta como Lars von Trier em “Melancolia” (2011, Mubi), em que Skarsgård exibiu uma faceta mais contida e trágica, lhe trouxe certamente prestígio. Houve também a chance de atuar numa superprodução: “A Lenda de Tarzan” (2016, Prime), filme dirigido por David Yates, em que uma transformação física foi exigida do ator. Sobre as escolhas de papéis em sua carreira, Skarsgård, mestre da autoironia, afirmou: “Não quero colocar um rótulo em mim mesmo. Só quero ser um ator e fazer algo diferente a cada vez.”
O cinema ainda deu recentemente a Alexander Skarsgård uma experiência de criatividade e ousadia. Em “O Homem do Norte” (2022, Telecine), dirigido por Robert Eggers, interpretou um guerreiro viking em busca de vingança, num épico em que também participou da produção. Sobre os vikings, disse: “Há uma dicotomia interessante na mentalidade viking. Todos eles possuem habilidades que poderíamos atribuir tanto a homens quanto a mulheres em um nível individual.”
É na televisão, no entanto, que Skarsgård tem alcançado seus melhores resultados profissionais. Um exemplo disso é a série “Big Little Lies” (2017–2019, HBO Max), criada e escrita por David E. Kelley. O ator interpretou Perry Wright, um homem, por um lado, extremamente sedutor e agradável, que amava sua esposa e gostava de ser pai. Mas também havia nele uma faceta sombria e perturbadora, pois era secretamente um predador sexual. Por esse trabalho, Skarsgård conquistou, como Melhor Ator Coadjuvante, o Emmy (2017) e o Globo de Ouro (2018), além do prêmio SAG de Melhor Ator em 2018. O Lukas Matsson de “Succession” (2021–2023, HBO Max), série criada por Jesse Armstrong, foi outro triunfo do intérprete. O personagem era um bilionário da tecnologia excêntrico e imprevisível, bem ao estilo próprio de Skarsgård.
Aos 48 anos, Alexander Skarsgård está mais produtivo do que nunca, mas não deixa de encarar o êxito com uma pitada de nonsense. Ele trabalha atualmente no lançamento do provocador “Pillion” (algo como “assento traseiro de uma motocicleta”), filme de Harry Lighton exibido com aplausos em Cannes neste ano, em que vive o líder de uma gangue de motoqueiros. De qualquer forma, uma coisa parece certa: Skarsgård vai sempre ter uma surpresa para seu público.