“Dexter: Ressurreição” (2025, Paramount+) acaba de estrear e dá ao ator estadunidense
Michael C. Hall a oportunidade de mais um retorno ao personagem que definiu sua
carreira. Nessa nova série criada por Clyde Phillips, o assassino Dexter Morgan
sobrevive a um tiro, acorda de um coma e parte disfarçado para Nova York à procura do
filho desaparecido.
Michael C. Hall nasceu em 1º de fevereiro de 1971, em Raleigh, na Carolina do Norte,
filho de uma conselheira de orientação educacional e de um engenheiro. Seu pai faleceu
quando ele tinha apenas 11 anos, uma perda que, segundo ele mesmo, o marcou
profundamente e contribuiu para sua personalidade introspectiva e disciplinada. Desde
criança esteve ligado à música, o que vai ser muito relevante para sua carreira. Após
graduar-se em artes no Earlham College, Hall se formou como ator na prestigiada Tisch
School of the Arts, da Universidade de Nova York, onde obteve seu Mestrado em Belas
Artes.
No teatro, Hall tem uma formação sólida e uma trajetória elogiada, com destaque para o
papel principal papel no musical “Hedwig” (2014). O espetáculo musical, que lidava
com rock, drama e questões de gênero, foi aclamado pela crítica. Sobre a experiência de
atuar ao vivo, ele afirmou: “Estar no palco com seus colegas atores tem uma vitalidade
que atuar para as câmeras não tem. Está tudo acontecendo agora mesmo”.
Além de ator, Michael C. Hall é vocalista da banda de rock experimental Princess Goes
(anteriormente Princess Goes to the Butterfly Museum). Para ele, a música é uma forma
paralela de interpretação. “Cantar é outra forma de explorar um personagem.” A banda
já realizou turnês pelos Estados Unidos e pela Europa, promovendo o talento artístico
de Hall para além do teatro e das telas.
Michael C. Hall tem construído uma carreira eclética no cinema. Por um lado, dedica-se
a projetos menores, independentes e autorais. Um exemplo disso é “Julho Sangrento”
(2014, Amazon), de Jim Mickle, um thriller psicológico ambientado no Texas dos anos
80, no qual interpretou Richard Dane, um pai de família que se envolve em situações
cada vez mais violentas. O filme foi aclamado no Festival de Sundance. Mas também
participa de produções mais comerciais, como “A Noite do Jogo” (2018, HBO Max),
comédia de ação dirigida por Jonathan Goldstein e John Francis Daley, em que viveu
um misterioso vilão conhecido como “O Búlgaro”, ao lado de Jason Bateman e Rachel
McAdams.
Foi na televisão, porém, que a carreira de Hall alcançou projeção internacional. O
primeiro grande passo foi o personagem David Fisher na série “A Sete Palmos”
(2001–2005, HBO), um diretor de funerária gay, metódico e reprimido. O trabalho foi
elogiado por sua complexidade emocional.
Contudo, Dexter Morgan, personagem oriundo de livros escritos por Jeff Lindsay,
revolucionou o trabalho e visibilidade midiática de Hall a partir de 2006. Originalmente
um perito forense da polícia de Miami que leva uma vida secreta como assassino em
série justiceiro, Dexter, com seu jeito frio e sombrio, tornou-se um dos personagens
mais controversos da televisão contemporânea, sobretudo graças ao ator, agora
reconhecido como um mestre em expressar a ambiguidade moral. “A forma como
abordo Dexter é tentar encontrar a humanidade nele”, declarou.
Já são quatro as produções televisivas em que Michael C. Hall dá vida a Dexter
Morgan. “Dexter” (2006-2013, Paramount+) foi a série inicial, criada por James Manos
Júnior. O personagem é retomado por Hall na minissérie “Dexter: Sangue Novo” (2021-
2022, Paramount+), criada por Clyde Phillips, na qual ele retorna dez anos após seu
desaparecimento. “Dexter: Pecado Original” (2024-2025, Paramount+), também criação
de Phillips, acompanha o jovem Dexter em sua passagem a assassino em série (aqui
Hall atua como narrador, apresentando a voz do Dexter mais velho). Já o elenco de
“Dexter: Ressurreição” traz nomes como Uma Thurman, Neil Patrick Harris e Peter
Dinklage. “Ninguém ao começar algo consegue imaginar que, 20 anos depois, ainda
estará lidando com o mesmo personagem”, afirmou Hall, em entrevista recente,
refletindo sobre a continuidade de sua conexão com Dexter.
Talvez a faceta mais reveladora de Michael C. Hall seja sua dedicação ao bem estar
pessoal e ao meio ambiente. Em 2010, o ator enfrentou um linfoma de Hodgkin durante
as gravações de “Dexter”. Apesar de ter sido tratado com sucesso, essa experiência
mudou sua relação com o seu próprio corpo e com o mundo. Desde então, Hall passou a
adotar o veganismo não apenas como escolha alimentar, mas também como um
compromisso ético e ambiental. Convicto em sua escolha de não consumir nenhum
produto de origem animal, Hall associa o veganismo à compaixão pelos seres vivos, à
preservação ambiental e à redução do impacto climático. Atua em campanhas como
relacionadas à cura do câncer e em defesa da água limpa, bem como em ações de
responsabilidade ambiental.
Michael C. Hall, acima de tudo, parece encarar a arte como uma missão. Sua carreira
tem sido marcada pela busca de papéis que revelem a complexidade do ser humano e da
vida com um todo. Talvez o maior talento de Hall seja justamente esse: usar os artifícios
do ator para melhor mostrar a verdade da existência.